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Posts Tagged ‘ecologia midiática’

Aqui vão algumas questões relativas às caraterísticas da dinâmica intermidiática que proponho para nossa discussão no próximo seminário:

 Paul Levinson, em The soft edge, faz uma análise evolucionista das mídias e considera essencial para a sobrevivência de mídias anteriores frente à novas formas (ex: rádio e televisão) que elas satisfaçam necessidades humanas (algumas inconscientes) replicando padrões de comunicação humana. Assim, se adequando a um nicho ecológico humano, as mídias criam seu nicho ecológico correspondente ao padrão que replicam. Por esse motivo o rádio teria sobrevivido em correspondência ao padrão humano de ouvir-sem-enxergar (hearing-without-seeing) e o cinema-mudo teria sucumbido ao cinema “falado”, já que enxergar-sem-ouvir não corresponde à um padrão humano “naturalizado, pervasivo e pré-tecnológico” de comunicação. Na sua “antropotopia”, Levinson acrescenta fatores como o sucesso comercial e conteúdo veiculado como condições relevantes na ecologia dos meios.  

Nessa ecologia as mídias hegemônicas em determinadas épocas se encontram tensionadas com frequência pelo surgimento de tecnologias emergentes que vão sendo integradas ao cenário midiático conformando novos formatos em função de remediar lacunas deixadas pelas precentes. Assim como elas resolvem alguns problemas, criam outros não menos “ruidosos”, gerando uma dinâmica. Este processo pode culminar na morte de determinadas mídias ou deslocá-las a outras categorias (como no caso do cinema-mudo que encontrou o nicho da arte) e em algumas das vezes pode levar ao fim da cadeia de remediações (como no caso da cortina que remedia a exposição de privacidade surgida com a janela, que por sua vez remedia a inacessibilidade ao mundo criada pela parede, que por sua vez remedia a desproteção da vida ao ar livre). Nos capítulos seguintes, Levinson se dedica ao impacto causado pela evolução do PC.

 Pelo que foi exposto até aqui, que problematizações “ecológicas” podemos desdobrar em relação as características do PC (se é que podemos pensá-lo como um meio separado do ambiente ao qual ele dá acesso)? Que tipos de padão de comunicação humana ele replica? Por ser híbrido, como ele tem remediado as mídias que ele abarca por digitalização? Podemos arriscar apontar que mídias estão fadadas ao fracasso ou quais irão adquirir novo folêgo pela digitalização? Somos capazes de identificar padrões de comunicação humana que estariam se hibridizando com as tecnologias a ponto de se naturalizarem nos próximos tempos?

É claro que conforme Levinson corremos o risco de nos determos na larva  sem considerar a borboleta potencial, mas um exercício de futurologia pode até ser divertido e às vezes render um bom roteiro de ficção científica…

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