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Posts Tagged ‘percepção’

Uma pergunta que podemos sempre argüir – e jamais de modo simples responder – é como ordenamos o nosso sentido do tempo ordinário e cotidiano. Como, afinal, se processa o curso de nosso tempo? A sua percepção? Qual o ritmo que nos orienta? O sol que nasce inexoravelmente todas as manhãs e se põe de maneira indefectível? A escuridão da noite que vem e se esvai no surgimento de um novo dia? Será o tempo regido pelo movimento da luz natural denominado por Paul Virilio como o tempo da ótica geométrica? Um tempo que seria suportado pela nossa visão e ação sobre o mundo concreto.

Algirdas Julien Greimas descreve a percepção temporal como a metáfora da gota de água que cai sem cessar, em um ritmo cadenciado, constante e que marca o dia, as horas, os minutos e os segundos de um Robinson Crusoe sozinho e perdido em uma ilha sem parâmetros sociais previamente dados. E então, de repente, uma gota subitamente não cai… se equilibra… toma uma outra forma… se transforma em um pingente transparente e translúcido que insiste em interromper a marcação daquele tempo cotidiano e familiar. A gota que esboça uma inversão do curso do tempo e provoca a sua momentânea suspensão. O efeito estético de tal experiência é o do deslumbramento. Para Robinson, não só a gota teria parado. Junto com ela, toda a sua ilha tinha e ao se pausar ele vislumbra uma outra ilha possível “atrás daquela onde penava solitariamente… mais fresca, mais quente e mais fraterna”.

A percepção do tempo – a temporalidade – é uma relação particular estabelecida entre o sujeito e o objeto. A percepção do tempo é experienciada por meio de algo que atravessa os nossos sentidos e interrompe o tempo cotidiano, representado, aqui, por uma cadência ritmada quebrada por um ruído que é na verdade um grande silêncio.

O que, então, nos atravessa? Qual o silêncio que produzimos? Quais os tempos, afinal, que podemos construir nas redes sociotécnicas de comunicação digital?

 

 

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